quarta-feira, 11 de maio de 2016

Adaptic Digit

O Adpatic Digit é um curativo/cobertura baseada na malha não aderente da Systagenix/Acelity.
Trata-se de um curativo apropriado para aplicação em feridas dos dedos - dos pés ou das mãos.
A cobertura siliconizada vem acoplada a uma malha tubular de dupla camada que envolve o dedo.
Tem as mesmas indicações das coberturas não aderentes. Leia mais AQUI.




Ferimentos decorrentes de queimadura


Aplicação do Adaptic Digit.
Existem apresentações em tamanho pequeno, médio e grande.
Dependendo do tipo de ferimento pode permanecer até uma semana.










Por se tratar de ferimento agudo a cicatrização costuma ser rápido, tendo-se o cuidado de prevenir sobreposição infecciosa.








Nesse caso o Adaptic Digit permitiu os movimentos de extenção e flexão dos dedos, evitando ao máximo as  sequelas retrácteis das articulações.
Resultado final foi muito satisfatório.
A lesão residual ainda existente no 2º quirodáctilo continuou sendo tratada até sus cicatrização final.

Mais sobre coberturas em
angiologiaonline.com



Dr. José Amorim de Andrade

domingo, 27 de março de 2016

Terapia por Pressão Negativa - ( TPN - NPWT - Terapia à vácuo )

Em 2010 estive no Symposium on Advanced Wound Care and Wound Healing Society Meeting no Centro de Convenções do Gaylord Palms Hotel, em Orlando (EUA).
Impressiona a magnitude desses eventos. Repetem-se anualmente e conta com a presença maciça das empresas voltadas para o "mercado" de tratamento de feridas crônicas abrigadas numa gigantesca área para elas reservada. Uma visita minuciosa a cada "stand", com direito a longas explanações sobre os produtos expostos, pode tomar um dia inteiro.
Lembro que, neste evento, havia poucos expositores focados em Terapia por Pressão Negativa.
Hoje, seis anos depois, essa terapia, mesmo no Brasil, vem ocupando espaços cada vez mais ampliados em qualquer evento sobre tratamento de feridas crônicas.

O que é ?

Regra geral, trata-se de um curativo hermeticamente fechado, oclusivo, comumente de gazes ou espuma, conectado a uma bomba de sucção contínua ou intermitente.
As secreções aspiradas por esse sistema de vácuo são drenadas por um tubo coletor até um reservatório de capacidade variada.
É um método não invasivo.
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Esquema de um sistema de curativo à vácuo ou por pressão subatmósferica
Ao longo dos últimos 20 anos mais de 25 dispositivos foram aprovados pelas entidades de controle na área de saúde.
Os pacientes podem ser beneficiados por dispositivos extremamente simples até os sistemas com tecnologia muito avançadas. 
No hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo) o Dr. Fabio Kamamoto ensina um sistema de terapia com pressão negativa tópica de aspiração contínua em ambiente hospitalar extremamente simplificado e de baixo custo.

Na prática

Ferida por FASCIITE NECROTISANTE
Aspecto após desbridamento cirúrgico de tecidos necróticos e controle da infecção. Antes do início da terapia por pressão negativa.


Aplicação cuidadosa do curativo procurando vedar qualquer ponto de vazamento que possa impedir a formação do vácuo. 


Conexão com a bomba e o reservatório. Neste caso foi usado o sistema extriCARE da Devon Medical Products com trocas semanais e em regime ambulatorial. Podemos observar que foi mantida a terapia compressiva com sistema de multicamadas para controle do edema (conduta pouco comum para esse tipo de procedimento).


Resultado após quatro semanas.








segunda-feira, 21 de março de 2016

Pé diabético - palmilha "inteligente" para prevenir feridas e amputações.

Feridas na região plantar dos pés é muito frequente na população diabética, especialmente naqueles que têm um controle descuidado de sua enfermidade.
Essas feridas representam uma significativa perda de qualidade de vida para os seus portadores.
Entre os cuidados mais importantes, além do disciplinado controle da glicemia, estão os calçados especiais. Muito já se tem escrito sobre esse assunto mas, na prática, o relaxamento e o descuido são atitudes dominantes.
Os pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (École Polytechnique Fédérale de Lausanne), França, em colaboração com os Hospitais Universitários de Génève - HUV (Suiça), desenvolveram uma palmilha equipada com válvulas que respondem eletronicamente à pressão exercida sobre diferentes regiões da planta dos pés.
Desta forma, neutralizando as alterações do arco plantar decorrentes da neuropatia diabética, consegue-se minimizar os eventos que culminam com a formação das úlceras.


Informa o Dr. Zoltan Pataky, internista no HUG e iniciador do projeto: "Há atualmente muitas soluções, tais como botas de gesso ou de descarga total (mais conhecidos como TCC ou Total Contact Cast). Mas como elas são restritivas e exigem constantes adaptações, os pacientes muitas vezes relutam em adotá-las e os médicos relutam em prescreve-las. A vantagem desta palmilha seria não só aliviar a arcada plantar onde precisa, mas também, na sequência, permitir o ajuste imediato de pressão dependendo da evolução das feridas".

Segundo os pesquisadores um protótipo dessa feliz inciativa está concluído. O laboratório está agora procurando parceiros industriais para desenvolver o projeto.




Fonte: Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne - Actualité Médiacom

domingo, 6 de março de 2016

Hidrofibras

Alguns curativos para tratamento de feridas crônicas são constituídos de fibras não trançadas de carboximetilcelulose (CMC), habitualmente apresentadas na forma sódica: carboximetilcelulose de sódio.  Deriva da celulose e entre as fontes para sua produção adequada está o bagaço da cana de açúcar tão abundante nas usinas de açúcar e álcool.
Entre os curativos com essa característica, nossa experiência maior tem sido o AQUACEL da empresa Convatec.
Estes curativos tem uma certa semelhança com aqueles baseados em alginato. Por se tratar de um polímero sofre ativação pela umidade e tem a capacidade de absorver e capturar em sua estrutura o exsudato proveniente das feridas. São altamente hidrofílicos. Como nos alginatos as fibras de CMC se convertem numa camada de gel. Sabemos que o gel promove o ambiente úmido facilitador do desbridamento autolítico e da granulação.
Há uma conveniente diferença na interação com as feridas entre os curativos de CMC e os alginatos: esta diferença se dá na medida em que a poderosa absorção dos curativos de CMC se dá verticalmente. Não há absorção lateral, protegendo assim a pele íntegra do entorno contra a maceração e outros danos.
Entre os curativos com essa característica, nossa experiência maior tem sido o AQUACEL da empresa Convatec.
Já existem curativos combinando hidrofibras, hidrocoloides e espumas de poliuretano, com os quais ainda não tivemos nenhum contato ou experiência. Também já estão disponíveis as associações com antimicrobianos, tais como a prata (Aquacel Ag).

Indicações dos curativos de hidrofibras:
  • Controle de exsudatos médios a abundantes
  • Preenchimento de espaços mortos
Uso desaconselhado em:
  • Feridas secas
  • Feridas com escaras
  • Feridas com pouco exsudato (pode desidratar o leito)
No caso do AQUACEL convém levar em conta algumas observações:
  • deixar uma margem de pelo menos 2 cm para além dos bordos das feridas; não há nenhum problema que o curativo cubra áreas de pele sadia do entorno; não há risco de maceração.
  • dependendo do nível de exsudato e da saturação do curativo, fazer trocas a cada 3 dias. Em algumas situações favoráveis deixamos o curativo até uma semana (7 dias).
  • a capacidade de capturar o exsudato entre suas fibras, permite a utilização do AQUACEL sob terapia compressiva. Isto é relevante na medida em que mais de 70% das feridas crônicas são de origem venosa que, em sua grande maioria, exigem abordagem compressiva.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Oxigênio terapia hiperbárica e feridas do pé diabético

Equipe de técnicos da Universidade de Toronto não identificam qualquer benefício significativo da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento das úlceras do pé diabético.
Dos 103 pacientes avaliados nesse estudo, 49 foram submetidos ao tratamento hiperbárico e 54 a placebo. Foram realizadas 5 sessões semanais durante 6 semanas. Os pacientes de ambos os grupos foram seguidos durante 12 semanas com controle das infecções, desbridamentos sequenciais, curativos especiais e dispositivos de contato total.
Pois bem, os resultados não evidenciaram nenhuma diferença relevante entre os dois grupos no que diz respeito a:

  • níveis de amputação
  • tamanho das lesões
  • evolução das feridas
  • grau de classificação das feridas
  • cicatrização
Daí a conclusão do Dr. Fedorko, autor principal do estudo: "No estágio atual, não podemos recomendar o recurso (à terapia hiperbárica) para o risco de amputação nem para acelerar a cicatrização desse tipo de ferida."

Estudo anterior na Universidade da Pensilvânia, publicado em 2013, já concluiu que a HBO (Oxigenoterapia Hiperbárica) "não alterou a probabilidade de amputação nem de cicatrização das úlceras do pé diabético".

Para aprofundamento do assunto, sugerimos:

https://www.e-pansement.fr/actualites/ulcere-du-pied-diabetique-loxygenotherapie-ne-reduit-pas-le-risque-damputation

http://care.diabetesjournals.org/content/36/7/1961.short



domingo, 15 de novembro de 2015

Dermatite de estase/eczema na insuficiência venosa crônica

A insuficiência venosa crônica pode levar ao aparecimento de alterações cutâneas nas pernas. A DERMATITE DE ESTASE é uma delas.
Trata-se da formação de um ambiente - geralmente situado na porção distal da perna, podendo ir até o tornozelo e o pé - de sofrimento cutâneo com formação de eczema, descamação, prurido (coceira) que pode evoluir até a formação de úlceras.

Figura 2: Fase avançada da dermatite de estase
já apresentando duas áreas em processo
de ulceração.
A dermatite de estase não costuma ser o primeiro sinal da insuficiência venosa crônica (Figura 2)
Os sinais cutâneos vão se instalando de forma paulatina e insidiosa.
Pode começar com um discreto edema (inchação) na perna que melhora com o repouso e vai piorando ao ficar mais tempo em pé ou sentado. O aparecimento de pigmentação de cor parda - alguns autores chamam de dermatite ocre - também costuma denunciar a existência do problema (Figura 1)
Figura 1: pigmentação parda que vai
aparecendo aos poucos e segue se
 alastrando e adquirindo o formato de
uma meia ou polaina.


Entre os sintomas mais relatados no eczema é o prurido ou coceira.
Em certas fases os portadores referem que se trata de uma coceira incontrolável.
O ato de coçar pode provocar lesões na pele que, se não forem tratadas, podem significar o início de uma ulceração. Em situações críticas o médico assistente pode lançar mão de corticoterapia tópica ou até mesmo sistêmica, nas doses e frequência apropriadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

PETROLATO - Protetor de pele - Coberturas não aderentes

O petrolato é um dos derivados do petróleo.
Deixemos de lado as polêmicas decorrentes do uso do petrolato em cosmetologia e beleza, principalmente no "tratamento" dos cabelos. A discussão sobre a associação do petrolato usado em cosméticos e câncer ainda vai muito longe. Vamos focar aqui nas possibilidades de uso do petrolato ou petrolatum na abordagem das feridas crônicas.
Comecemos com os sinônimos na Wikipedia: gel de petróleo, parafina, vaselina e petrolatum.
Pode ser definido como "uma mistura purificada de hidrocarbonetos semi-sólidos obtidos a partir do petróleo".

Uso de petrolato em feridas crônicas


O petrolato, junto com o óxido de zinco e o dimeticone, vem sendo proposto como um protetor e hidratante da pele. Cerca de 80% das pessoas acima de 65 anos apresentam algum grau de ressecamento da pele. 

Especialmente nos membros inferiores esse ressecamento da pele, associado a outras patologias - insuficiência venosa crônica, diabetes e certas enfermidades dermatológicas - cursam com coceira ou prurido. Fatores climáticos e ambientais podem exacerbar esse prurido que, na sequência, pode progredir para um eczema secundário e finalmente, ulcerar.

Os objetivo gerais dos curativos baseados ou contendo petrolato são:
  • manter a umidade do leito da ferida e de seu entorno
  • reduzir a fricção dos curativos secundários sobre o leito e o entorno das feridas
  • permitir as tocas entre o ambiente da ferida e o curativo secundário
  • permitir a passagem livre do exsudato
  • evitar o ressecamento e a aderência do curativo secundário ao leito da ferida (principalmente gazes)
Nem todos os curativos com petrolato são formatados para todos os objetivos acima, como veremos nas indicações e características dos que descreveremos a seguir.
Essas coberturas não aderentes são extremamente maleáveis e se adaptam bem nas mais diferentes topografias das feridas.
Acredito que devam ser evitadas nas feridas que ainda abriguem no seu leito muito tecido necrótico, muito esfacelo ou exsudato abundante. São muito convenientes nas feridas com leitos já bem limpos e com granulação já se evidenciando.


Curativos com petrolato

  • Xeroform Petrolatum Impregnated Gauze (Derma Sciences)

    Xeroform Petrolatum Gauze - ainda
    não temos experiência com este
    produto - não tenho conhecimento de
    que esteja disponível no Brasil.
    • É um curativo primário. Diferentemente de alguns outros, não exige, mas também não impede, um curativo secundário.
    • Tem, além do petrolato, uma composição de Xerofórmio (3%) que ajuda a controlar o mal odor.
    • Indicado para feridas com pouco exsudato
    • Pode ser usado sob terapia compressiva


  • ADAPTIC® (Systagenix)

    • Malha de celulose impregnada com petrolato
    • Requer curativo secundário
    • Pode ser cortado por conveniência de cada caso
    • Pode ser usado sob terapia compressiva
    • Em vista de seu caráter semi-oclusivo, deve ser evitado em feridas muito exsudativas.


  • JELONET™ (smith & Nephew)
    • Malha de algodão impregnada com parafina branca (petrolato)
    • Requer curativo secundário
    • Pode ser cortado por conveniência de cada caso
    • Pode ser usado sob terapia compressiva
    • Em vista de seu caráter semi-oclusivo, deve ser evitado em feridas muito exsudativas.


  • Lomatuell® H (Lohmann&Rauscher)

    • Malha de celulose impregnada com vaselina
    • Requer curativo secundário
    • Pode ser cortado por conveniência de cada caso
    • Pode ser usado sob terapia compressiva
    • Em vista de seu caráter semi-oclusivo, deve ser evitado em feridas muito exsudativas.




  • Curatec® Compressa com Emulsão de Petrolatum
    • Malha de celulose impregnada com vaselina
    • Requer curativo secundário
    • Pode ser cortado por conveniência de cada caso
    • Pode ser usado sob terapia compressiva
    • Em vista de seu caráter semi-oclusivo, deve ser evitado em feridas muito exsudativas.
Veja mais sobre esse assunto em angiologia on line



Dr. José Amorim de Andrade