quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Hidrocoloides




HIDROCOLOIDES
Os Hidrocolóides são curativos contendo agentes em formato gelatinoso, geralmente carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina. São normalmente embalados em placas de filme ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações. Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas de diferentes formas. Pode ser encontrado também em formato de pasta, empregadas para preenchimento de cavidades.
Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso entre o curativo e o leito da úlcera; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação. Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas expostas no leito da ferida, os Hidrocolóides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados. 1
Segundo Thomas S e cols.2, em estado intacto os Hidrocolóides são impermeáveis aos vapores de água, mas com o processo de gelatinização no leito da ferida, o curativo se torna progressivamente mais permeável. A perda de água através do curativo aumenta sua capacidade de contribuir com a formação do exsudato. Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso.
Os Hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. É preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.
Obs.: na figura abaixo uma placa de hidrocolóide está aplicada sobre a lesão mostrada na imagem anterior após desbridamento desbridamento cirúrgico e a ferida adquirir leito granulado.


Indicações principais:

  • Curativo primário ou secundário em feridas com exsudato mínimo ou leve.
Vantagens:
  • Propicia desbridamento autolítico
  • Dificulta a invasão bacteriana
  • Pode reduzir a dor
  • Fácil de aplicar
  • É autoadesivo e de fácil modelagem ao local
  • Capacidade de absorção de leve a moderada
  • Pode ser utilizado sob terapia compressiva
  • Reduz o trauma em áreas de pressão
  • A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida)
Desvantagens:
  • Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável.
  • Com o calor e a fricção amolece e perde o formato
  • Pode provocar hipergranulação
  • Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta)
Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, segundo Sasseville e cols., apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.



Desaconselhável em:
  • Feridas com exsudato moderado ou abundante
  • Feridas com franca infecção
  • Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada
  • Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas
  • Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa
  • Alguns autores recomendam EXTREMA CAUTELA em diabéticos, vasculite e feridas com componente isquêmico "devido risco aumentado de infecção por anaeróbios".


Resultado final após dois meses de curativos. A utilização de calçados especiais também fez parte do tratamento neste caso, por se tratar de pé neuropático com deformidades severas.




Produtos usados em nossa experiência:
  • Confeel Plus (Coloplast)
  • Duoderm (Convatec)
  • Nuderm (Systagenix)
  • Suprasorb H




Leituras recomendadas:
1. Nemeth AJ, Eaglstein WH, Taylor JR, et al. Faster healing and less pain in skin biopsy sites treated with an occlusive dressing. Archives of Dermatology, Vol 127, November 1991, pp 1679- 1683.
2. Thomas, S., Hydrocolloids Journal of Wound Care 1992:1;2, 27-30
3. Sasseville D, Tennstedt D, Lachapelle JM: Allergic contact dermatitis from hydrocolloid dressings. Am J Contact Dermat 1997 Dec;8(4):236-238
4. Hess CT: Clinical Guide Wound Care (Fifty Edition). Lippincott Williams & Wilkins - 2005